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Trajeto

Gestor da sala de aula

O professor do futuro, o futuro do professor

O papel do professor está em mudança. Mais do que um instrutor detentor de conhecimento ou até mesmo um orientador, ele é um autêntico gestor da sala de aula

Em época de transição entre a escola do passado e a do futuro, no presente é fundamental reforçar que o professor continua a ter um papel preponderante no processo de ensino-aprendizagem e também de referência para os seus alunos. No entanto, há muita coisa que se altera, como, por exemplo, tudo aquilo que se relacione com as novas tecnologias, a gestão da sala de aula, as estratégias e formas de trabalhar com os discentes. “Neste momento já conseguimos fazer algo de que há muito se fala e que é o ensino individualizado. A tecnologia permite-nos fazer isso”, explica Vítor Bastos, professor no Colégio Vasco da Gama (Meleças, Sintra) e coordenador do projeto iClass, um dos ambientes educativos inovadores/laboratório de aprendizagem em funcionamento no país.

Segundo este docente, o professor deve ter consciência de que o seu papel enquanto gestor da sala de aula é assegurar que o aluno adquira determinadas competências, que vão para além das metas de aprendizagem e que hoje são diferentes das necessárias há uns anos, sem ter medo de perder a “centralidade” no processo nem de mudar. “O professor nunca perde esse papel ‘central’, mas tem de dominar um conjunto de ferramentas que permitam aos alunos, em ritmos diferentes, atingir determinados patamares”, diz. Para que isto seja possível há muito a alterar, a começar pela formação inicial de professores. As faculdades devem ser as primeiras a dar o passo no sentido de formar docentes para o futuro, nomeadamente ao nível de novas formas de didática e de avaliação mais consentâneas com o projetado para a “escola do futuro”. “Muitas dessas alterações são suportadas pela tecnologia, mas o cerne está na alteração pedagógica e não na tecnologia em si, que é um meio para atingir o fim”, acrescenta Vítor Bastos. Relativamente à preparação dos professores que estão no ativo, este docente considera ser preponderante que os que estão mais “avançados” incentivem os demais. Ou seja, se um determinado professor está a ter êxito com uma turma recorrendo a certas estratégias, deve mostrá-las aos outros, os quais, por sua vez, podem adaptá-las às suas realidades e contextos e alcançar igualmente o sucesso nas suas turmas.

O professor necessita de motivação para ir mais longe e apostar na sua própria formação contínua