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Sala de Aula

A Escola do Futuro

NOVAS estratégias para o ensino centrado no aluno

Inspiradas no projeto Future Classroom Lab, da European Schoolnet, as “salas de aula do futuro” têm vindo a ser implementadas de forma crescente em diversas escolas portuguesas (e na Europa), a pensar no aluno do século XXI e nas novas competências que tem de desenvolver

Designam-se oficialmente, entre nós, por ambientes educativos inovadores, por serem espaços de inovação quer para professores quer para alunos, onde se “ensaiam” novas metodologias ativas, como o Project-Based Learning (estratégia de ensino baseada em projetos) e o Inquiry-Based Learning (abordagem pedagógica que privilegia as questões, ideias, observações e conclusões do aluno enquanto ferramentas de construção do seu próprio conhecimento).

Neste momento são mais de duas dezenas de “laboratórios de aprendizagem” em funcionamento ou que já desenvolveram projetos experimentais, dos quais lhe trazemos aqui dois exemplos aplicados em turmas do 7.º ano.

iClass em Meleças (Sintra)

Mais do que uma sala, o projeto iClass implementado no Colégio Vasco da Gama assume-se como uma ideia inovadora assente em três pilares: nova pedagogia, espaços diferenciados e tecnologia.
A pedagogia baseia-se sobretudo em Project-Based Learning, na qual o conhecimento é construído pelo aluno numa lógica de autorregulação das aprendizagens. Por exemplo, ele parte no início com uma “bagagem” de 10% de conhecimento, dada por uma aula expositiva, e a partir daí, com o seu trabalho de pesquisa individual e colaborativa, vai produzindo os restantes 90%. Por sua vez, esta pedagogia não funciona de forma eficaz em salas de aula tradicionais, pelo que tem de estar apoiada em espaços multifuncionais, multidisciplinares, dinâmicos e confortáveis, adaptados ao tipo de trabalho que o aluno está a desenvolver: individual, a pares ou em grupo. Por fim, a tecnologia – basicamente ecrãs, painel interativo, aplicações educacionais e tablets híbridos (que têm de ser iguais para todos) – é um elemento fundamental no processo. Saiba mais sobre este projeto em iclasscvg.com.

Projeto Active Lab em Rio Maior

Assim se chama o ambiente educativo inovador do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, em Rio Maior. Este projeto visa reformular todos os espaços educativos do agrupamento e introduzir, de forma gradual, metodologias ativas de aprendizagem. Baseia-se em três grandes áreas de transformação: espaço, metodologia e recursos. Entre as várias atividades que caracterizam este projeto destaca-se o Clube de Robótica, que tem como principal objetivo desenvolver nos alunos várias competências chave. Através do programa Scratch, por exemplo, a aprendizagem dos alunos é concreta, associada a artefactos que eles próprios criam, observam e interagem, e assim as abstrações que daí derivam (ou aplicam mais tarde) são significativas e relevantes. Os problemas são open-ended, permitindo várias soluções e abordagens.

Saiba mais sobre este projeto em activelabanet.wordpress.com.

METODOLOGIAS ATIVAS: EM QUE SE BASEIAM

O conceito já não é novo, mas só muito recentemente se fala dele com mais ênfase. “A ideia de aprender ativamente quer dizer que o aluno está mental e comportamentalmente ativo, ou seja, não basta ele estar a ser estimulado intelectualmente, como também deve poder exercer, do ponto de vista motor, algum tipo de atividade”, explica Neuza Pedro, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. No ensino centrado no aluno tem de se desenvolver a sua autonomia e responsabilidade e chamá-lo a ter um papel ativo, que deve estar refletido nas diferentes fases do processo de ensino-aprendizagem, isto é, tanto na planificação (definir objetivos adequados a si mesmo), na conceção efetiva da aprendizagem (por exemplo, negociar atividades considerando o estilo de aprendizagem de cada um) como também naquilo que se considera um ponto crítico do sistema educativo: a avaliação.